Escolas de samba do Rio ficam sem 50% da verba para 2018.

O prefeito Marcelo Crivella disse, nesta segunda-feira,12/06, que planeja cortar pela metade a subvenção concedida às escolas de samba do Grupo Especial a partir do carnaval de 2018 e que tais recursos seriam remanejados para dobrar as diárias pagas por criança nas creches privadas conveniadas com a prefeitura.

–  Eu propus à Liesa um corte de 50%. A beleza do carnaval carioca está mais no samba no pé mostrado pelos componentes. Juntas, as pessoas formam uma grande geografia humana. Carnaval é muito mais que carros alegóricos. Estamos com restrições orçamentárias. Quero usar esses recursos para, a partir de agosto, pagar uma diária de R$ 20 para atender 3 mil crianças. Hoje, essas creches recebem R$ 10. É pouco. Até mesmo para comprar um iogurte. É uma questão de refletir. Se vamos usar esses recursos para uma festa de três dias (Carnaval) ou ao longo de 365 dias – alegou o prefeito.

DESFILE DAS ESCOLAS DE SAMBA DO GRUPO ESPECIAL DO RIO DE JANEIRO

Foto: internet

Jorge Luiz Castanheira (atual presidente da Liesa) rebateu Crivella

– O espetáculo chegou a um alto nível de qualidade e isso seria um retrocesso. Aumentar verbas para creche de fato é importante, mas é tratar da questão do Carnaval do Rio de uma maneira muito simplista. O carnaval movimenta R$ 3 bilhões para a cidade, conforme a própria Riotur já divulgou. É toda uma economia que gira em torno do evento. Movimenta hotéis, restaurantes… entre outras atividades econômicas que geram impostos para a própria prefeitura – argumentou Castanheira

O assunto é polêmico e já tem escola ameaçando não desfilar e é bom frisar que tais cortes, mesmo em proporções menores, também vão atingir os grupos de acesso.

Em tempos de “crise” todo mundo paga pelo “pato”.

Anúncios

Carnaval Rouanet

...ei você aí, me dá um dinheiro aí / me dá um dinheiro aí..

…ei você aí, me dá um dinheiro aí / me dá um dinheiro aí..

Recentemente publicamos aqui o indo e vindo das datas referentes ao Carnaval de Campos, o Campos Folia, que no final das contas acabou sendo cancelado por questões financeiras e nessa mesma matéria questiono essa questão das entidades ficarem à mercê, única e exclusivamente, de verbas públicas, aquelas liberadas pelos órgãos municipais que “paitrocinam” esses eventos.

Esta dificuldade financeira, no entanto, não é mérito só da referida cidade. Muitas localidades e escolas estão passando por isso, mas o certo é que há uma luz no fim do túnel  (na minha opinião).

Talvez esta luz se chame Lei de Incentivo, como a Lei Rouanet (a mais famosa delas), que apesar de toda sua “burocracia” é o caminho que tem sido encontrado por algumas instituições que buscam soluções para isso (impasse financeiro).

Recentemente, 10/06/2015, por exemplo, a proposta de carnaval de Uberaba 2016, através do prefeito da Cidade, Paulo Piau e pela presidente da Fundação Cultural, Sumayra Oliveira, foi apresentada a empresários no intuito de beber dessas fonte. (vide matéria completa em: http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2015/06/projeto-do-carnaval-de-2016-e-apresentado-em-uberaba.html)

É lógico que tem um monte de gente que anda criticando o fato das escolas de samba/carnaval, trilharem esse caminho, mas, não fazemos parte da cultura? Se a lei existe, seja ela qual for não é para ser usada?

Dentre as agremiações que obtiveram sucesso nesse sentido, 2015, podemos citar:

Mangueira: 6.149.400,00/ Águia de Ouro: 2.020.400,00/ Viradouro: 2.616.000,00/ Nenê de Vila Matilde: 2.280.000,00/ Acadêmicos do Grande Rio: 4.463.100,00/ Império Serrano: 1.142.000,00/ Lins Imperial: 450.880,00/ São Clemente: 767.200,00/ Unidos dos Morros (Santos): 699.250,00/ Gaviões da Fiel: 2.315.000,00/ Imperatriz Leopoldinense: 2.805.000,00/ Mocidade Independente: 5.309.820,00

O fato é que saídas existem, resta saber se as agremiações, que tanto reclamam, estão aptas para apresentarem essas propostas e acima de tudo gerir aquilo que foi proposto (minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa).