LIESA cancela ensaios técnicos.

Carnaval 2018 – A cinco meses do carnaval, as escolas de samba do Grupo Especial do Rio continuam com o pires na mão, sem recursos. A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) resolveu suspender de vez os ensaios técnicos realizados entre os meses de janeiro e fevereiro no Sambódromo. A festa, que servia de teste para o desfile oficial, era gratuita e levava milhares de sambistas e espectadores à Marques de Sapucaí.

De acordo com Jorge Castanheira, presidente da Liesa, os gastos com os ensaios técnicos representam uma despesa anual que gira em torno de R$ 3,5 milhões. O dinheiro é utilizado para pagar custos como segurança, limpeza de banheiros, carros de som e até confecção de camisas para componentes das escolas de samba. Para Castanheira, a decisão do cancelamento só seria revogada se houvesse uma patrocínio.

— O ensaio técnico está sendo cancelado porque a Liesa não tem recursos. Não tem como a gente fazer. Sem recursos, só se a gente tiver um patrocínio. Por enquanto, não tem. Por 15 anos, a Liga vem bancando sozinha esses ensaios. Isso aí, prá gente, é um custo de R$ 3,5 milhões a R$ 4 milhões por ano. O dinheiro é gasto com segurança, limpeza de banheiros, controle, carro de som, a gente banca tudo. Por 15 anos, a gente bancou. Este ano, infelizmente, não vamos conseguir fazer — afirmou ele.

Fonte: Jornal Extra/RJ.

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Centenário do Samba ganha selo comemorativo.

Nesta sexta-feira (23), os Correios colocaram em circulação um bloco (90 mil unidades) com selo em comemoração ao aniversário de 100 anos do samba. A data faz alusão à canção Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida, que é considerado o primeiro samba a ser gravado no Brasil, em 1917.

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Elementos de Art Nouveau emolduram o bloco, que traz na ilustração de Daniel Effi o momento de reunião da roda de samba, fazendo referência à gravação do primeiro samba, sobre um disco de vinil. O ambiente remete à tradicional Praça Onze da cidade do Rio de Janeiro à época.

Com valor facial de R$ 1,80, o selo pode ser adquirido em todas as agências dos Correios e também na loja virtual, no endereço https://www.correios.com.br/correios-online.

Cem Anos do Samba

Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

Símbolo da nossa nacionalidade, reconhecido internacionalmente, expressão cultural e social originária das populações afrodescendentes, incorporada ao cotidiano de todos os brasileiros, de Norte a Sul do país, o Samba recebe nessa emissão dos Correios o reconhecimento do seu poder integrador, ressaltando os valores e tradições das comunidades de sambistas que construíram o seu legado e movem a sua história rumo ao futuro.

A gravação do samba “Pelo telefone”, de Donga e Mauro de Almeida, em 1916, é um marco sinalizador do que viria a acontecer com essa arte. Nascida nos terreiros, se espalhou pelas cidades. Arte que é canto, ritmo, dança, mas principalmente um modo de vida, que compreende toda uma série de tradições ligadas a sentimentos de pertencimento e identidade comunitárias. Samba é reunião, é festa, é celebração. Como tal, quando há samba, há comidas, bebidas, vestimentas, instrumentos musicais, interseções religiosas, que compõem o seu cenário, o seu lar, seja uma quadra de uma agremiação carnavalesca, uma roda de samba num bar ou uma festa na casa de amigos. Quando falamos em escolas de samba, vemos as cores tradicionais, as bandeiras (os pavilhões protegidos pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira), os símbolos (como a águia da Portela e a coroa do Império Serrano), os padroeiros, os toques típicos de cada bateria, inspirados, quando ainda preservados, nos de cultos religiosos de matriz africana, toda uma tradição que se revivifica a cada nova reunião dos sambistas, a cada nova criação de um samba de terreiro, a cada novo desfile no carnaval. Mas o samba é muito mais. Não é só carnaval, com alguns pensam. Ele é uma expressão vivida no cotidiano, se dá o ano todo, no dia a dia dos brasileiros.

No começo do século XX, o samba foi perseguido, assim como outras expressões populares. Foi tratado com preconceito e como caso de polícia. A resistência das comunidades e o trabalho incessante de lideranças como os sambistas Paulo da Portela e Cartola, para citar dois entre muitos outros, mudou esse quadro. As classes médias foram atraídas pela arte e beleza do samba. A indústria fonográfica e o rádio logo viram o seu potencial aglutinador, a sua força criativa e a sua intensidade vibrante, que encantavam o país. Daí a ser reconhecido como símbolo de identidade nacional foi um passo. Um passo difícil, dado com muita luta, uma conquista. Nos morros e nas ruas, o batuque do samba se tornou o Brasil. Das senzalas onde sofreram os escravos, vieram a música e a dança que mudaram e ainda mudam o país. Então, além de manifestação cultural, é expressão de uma luta libertadora, pela igualdade, pela cidadania, pela integração.

Em 2007, o samba – nas variações partido-alto, samba de terreiro e samba-enredo – recebeu do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o título de patrimônio cultural imaterial do Brasil. Esse reconhecimento ajudou a abrir novos espaços e a valorizar comunidades de sambistas, preservando e registrando os fundamentos de sua arte, alimentando a sua evolução constante no diálogo com as novas gerações, sustentando os fluxos de transmissão de conhecimentos através da atuação das Velhas Guardas das escolas de samba. Raiz e árvore que só crescem. Mas ainda há muito por conquistar.

Foi da adversidade que se ergueu o samba brasileiro – sua poesia, sua vibração, seu molejo. Vamos celebrar o legado dos nossos antepassados africanos e dos sambistas históricos, além de exaltar a força criadora das atuais gerações, que não deixam e não deixarão o samba orrer, nunca.

Aloy Jupiara – Conselheiro e Pesquisador do Museu do Samba

Escolas de samba do Rio ficam sem 50% da verba para 2018.

O prefeito Marcelo Crivella disse, nesta segunda-feira,12/06, que planeja cortar pela metade a subvenção concedida às escolas de samba do Grupo Especial a partir do carnaval de 2018 e que tais recursos seriam remanejados para dobrar as diárias pagas por criança nas creches privadas conveniadas com a prefeitura.

–  Eu propus à Liesa um corte de 50%. A beleza do carnaval carioca está mais no samba no pé mostrado pelos componentes. Juntas, as pessoas formam uma grande geografia humana. Carnaval é muito mais que carros alegóricos. Estamos com restrições orçamentárias. Quero usar esses recursos para, a partir de agosto, pagar uma diária de R$ 20 para atender 3 mil crianças. Hoje, essas creches recebem R$ 10. É pouco. Até mesmo para comprar um iogurte. É uma questão de refletir. Se vamos usar esses recursos para uma festa de três dias (Carnaval) ou ao longo de 365 dias – alegou o prefeito.

DESFILE DAS ESCOLAS DE SAMBA DO GRUPO ESPECIAL DO RIO DE JANEIRO

Foto: internet

Jorge Luiz Castanheira (atual presidente da Liesa) rebateu Crivella

– O espetáculo chegou a um alto nível de qualidade e isso seria um retrocesso. Aumentar verbas para creche de fato é importante, mas é tratar da questão do Carnaval do Rio de uma maneira muito simplista. O carnaval movimenta R$ 3 bilhões para a cidade, conforme a própria Riotur já divulgou. É toda uma economia que gira em torno do evento. Movimenta hotéis, restaurantes… entre outras atividades econômicas que geram impostos para a própria prefeitura – argumentou Castanheira

O assunto é polêmico e já tem escola ameaçando não desfilar e é bom frisar que tais cortes, mesmo em proporções menores, também vão atingir os grupos de acesso.

Em tempos de “crise” todo mundo paga pelo “pato”.

Vem aí o Carnavália-Sambacon 2016!

Face_foto capa carnavalia2016

O grande evento sobre negócios, economia e impactos do Carnaval brasileiro reunirá os principais responsáveis por um setor que movimenta entre negócios e divisas com o turismo, mais de 10 bilhões de reais, o que impacta toda a cadeia produtiva da economia brasileira, proporcionando assim a entrada de novos fornecedores, reduzindo os custos das compras feitas anualmente, resultando em economia no custo final, além de trazer para o mercado formal um grande número de pequenas empresas, artistas e artesãos que  vivem do carnaval mas que não fazem parte das estatísticas hoje existentes.

O evento acontecerá entre os dias 23 e 25 de junho, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, serão realizados debates cujos temas são de interesse de todos os segmentos que pensam e  trabalham durante os 365 dias do ano preparando a maior festa popular brasileira que é o Carnaval.

Fique de olho, participe! www.carnavalia.net